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Papa Bento XVI
BOLETIM DA ILGA

in HOLY SEE (VATICAN CITY STATE), 21/04/2005

A Eleição do Papa Bento XVI Causa Dôr e Mágua entre o Povo LGBT

Bruxelas, 21/04/2005

A Associação Gay e Lésbica Internacional ( ILGA) deseja expressar a sua tristeza e preocupação profunda sobre a eleição do ultraconservador e homofóbico Cardeal Joseph Ratzinger ao papado da Igreja Católica. Depois de saber da notícia, na sua reacção inicial, o co-secretário geral da ILGA Kursad Kahramanolgu declarou “ parece que agora a política do ódio é a forma mais rápida de promoção no Vaticano”.

Durante a sua permanência na Igreja, e especialmente durante o seu tempo como chefe da “Congregação para a Doutrina e Fé” o Cardeal Ratzinger foi a voz da homofobia durante o reinado de João Paulo II.

Os seus escritos e declarações vão ao ponto de descrever a homossexualidade como “ um mal moral intrínseco” que deveria ser tratado em vez de aceite. Numa carta aos Bispos em 1968 sobre “ Cuidados Pastorais aos Homossexuais”, o cardeal Ratzinger ordenou que o aconselhamento da igreja aos homossexuais incluísse ciências médicas, psicologia e sociologia para “curar” gays, lésbicas e bissexuais.

Os danos de tais “terapias reparativas” têm sido denunciadas por associações médicas e psiquiátricas por levarem a depressão severa e ao suicídio aqueles forçados/coagidos e/ou obrigados a se submeterem a tais tratamentos.

Igualmente grave, uma declaração do Vaticano em 1992 e autorizada pelo futuro Bento XVI entitulada “ Algumas considerações acerca da resposta Católica a propostas legislativas sobre não-discriminação de pessoas homossexuais” fora designada para mobilizar opinião católica contra direitos iguais para gays e lésbicas.

Rejeitando o conceito de “direitos humanos” homossexuais, declara não existir “direito” homossexual; declarando ainda que as liberdades civis de gays e lésbicas podem ser “ legitimamente limitadas para condutas objectivas de desordens externas”. Nas recentes eleições nos Estados Unidos, Ratzinger sugeriu que políticos católicos pro-gay/pro-escolha fossem excluídos da Comunhão.

Para além da sua homofobia declarada, o Cardeal Ratzinger tem sido um dos mais ferozes oponentes da Igreja Católica sobre a concepção, o direito das mulheres à sua sexualidade, e especialmente o uso dos preservativos.

Não só declarou a sua utilização como imoral mas foi ao ponto de declarar que não são eficazes na prevenção da transmissão Hiv/Sida. Estes ensinamentos não só vão contra toda a evidência médica moderna que prova a eficácia do uso de preservativos mas só pode contribuir para o alastramento da epidemia global de Hiv/Sida.

Ele é também conhecido pela sua oposição firme em respeito à igualdade entre os sexos. Como defensor da doutrina católica ortodoxa, o cardeal Ratzinger tem ferozmente sido contra a abertura do sacerdócio às mulheres, até mesmo recusando-lhes cargos menores dentro da igreja.

Durante os últimos 20 anos, estudos médicos e científicos têm demonstrado vezes e mais vezes que “tratamentos” que tentam “curar” a homossexualidade acabam por causar danos psicológicos severos às vitimas e que muitas vezes os levam ao suicídio; que retórica anti-gay causa aumento de perseguição e crimes violentos contra homossexuais que chegam ao assassínio; que os preservativos são eficazes na prevenção da propagação do Hiv/Sida, uma epidemia que mata milhões no mundo.

Enquanto o Papa Bento XVI não é responsável por estes horrores, a sua doutrina e ensinamentos contribuem directamente para eles. ILGA lamenta que os cardeais não tenham escolhido um líder mais esclarecido neste inicio do terceiro milénio e deseja que a eleição do cardeal Ratzinger promova mais vozes moderadas a levantarem a sua voz dentro da Igreja.


Kursad Kahramanoglu & Rosanna Flamer-Caldera
Co-secretários gerais
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