Home, Asia, Europe, North America, Latin America and Caribbean, Oceania, Notícias, Mapa do site
Início / Ásia / Indonesia / Articles / Os princípios de Yogyakarta em quadrinhos: uma inovadora ferramenta educativa para jovens LGBTIQ
lendo mapa..

Contribuidores

anonymous contributorPublicado anonimamente. (Inglês)
anonymous contributorPublicado anonimamente. (Francês)
Women Patricia Curzi, Women's Project Coordinator - ILGA
anonymous contributorPublicado anonimamente. (Português)

Facebook

Este artigo foi marcado para tradução. Isto significa que um moderador o leu e considerou que seria de interesse geral para a comunidade LGTBI. Porque não aproveitar este momento e disponibiliza uma tradução numa outra língua!
Apresentação nos principios às Nações Unidas
Os princípios de Yogyakarta em quadrinhos: uma inovadora ferramenta educativa para jovens LGBTIQ

in INDONESIA, 05/04/2011

Em 29 de outubro de 2010, o Instituto Pelangi Perempuan (the Indonesian Youth Lesbian Center) lançou na capital, Jacarta, uma HQ baseada nos Princípios de Yogyakarta. Esta iniciativa inovadora para difundir uma ferramenta em prol dos direitos humanos entre os jovens atiçou nossa curiosidade...

Kamilla é uma jovem ativista lésbica e feminista, de 20 e poucos anos. Em 2006, fundou o Instituto Pelangi Perempuan (Indonesian Youth Lesbian Center),com foco nos jovens LGBTIQ da Indonésia e, atualmente, ocupa o cargo de diretora executiva da instituição. Em janeiro de 2008 foi eleita membro da diretoria da ILGA ASIA, para representar os jovens LGBTQI da região. Em 2010, o *Fride.com*, o maior site LGBTQI da Asia a incluiu entre as pessoas LGBTQI de maior destaque no continente.

Entrevista concedida a Patricia Curzi.


Como foi que você e sua organização tiveram a idéia de ilustrar os Princípios de Yogyakarta utilizando os quadrinhos?

Em nossa organização, trabalhamos muito com jovens LGBTIQ; e acreditamos que é importante que eles conheçam seus direitos, que compreendam e implementem os princípios de Yogyakarta. Perguntamos a alguns jovens se eles conheciam os princípios e se eram de fácil compreensão; A maioria respondeu que os princípios eram muito complicados; que a linguagem dos direitos humanos é muito difícil e que o texto dos princípios é muito técnico. Era muito importante para nós difundir a informação e começamos a buscar meios de tornar os princípios mais acessíveis à juventude da Indonésia. Sabemos, por experiência, que poucos jovens se interessam pelos direitos humanos e talvez isso se dê em função da dificuldade de compreensão da linguagem técnica utilizada. Começamos compilando e adaptando histórias reais para a linguagem dos HQs, utilizando as imagens como ferramenta educativa. É importante adequar a ferramenta educativa à mensagem que se quer passar e ao público-alvo que se deseja alcançar.

Qual foi o princípio mais difícil de ilustrar e por quê?

Não ilustramos todos os 29 princípios; apenas selecionamos vários princípios relacionados à vida dos jovens LGBTQI, como o direito à educação, à igualdade e à não-discriminação ou o direito à liberdade de opinião e expressão. Futuramente, talvez, poderemos ampliar o projeto e ilustrar todos os 29 princípios.

Na sua opinião, o uso de uma ferramenta de comunicação geralmente empregada para o entretenimento não irá enfraquecer a força da mensagem contida nos 29 princípios?

De maneira alguma! O lema do nosso grupo é: “Educação, Diversão, Entretenimento“ Na maior parte do nosso trabalho utilizamos recursos lúdicos e também criamos um espaço informal para a prática de esportes, (como um clube de boxe e badminton), que atuam como grupos de apoio. Utilizamos elementos da cultura pop, teatro, shows de “drag kings” e “drag queens”, danças tradicionais e modernas, mas não nos esquecemos da mensagem que queremos passar. O uso da diversão nos ajuda a passar a mensagem para o nosso público–alvo, porque gostaríamos de utilizar uma estratégia mais pop no empoderamento dos jovens LGBTQI, ao invés de uma estratégia de ativismo mais tradicional A maioria de nós é jovem e nossa experiência nos mostra que é difícil participar de discussões e seminários longos. É muito importante desenvolver campanhas pelos direitos LGBTQI e, para isso, o tripé educação-diversão-entretenimento é uma importante ferramenta educativa. Até o momento, temos tido sucesso. Também temos o clube Anak Pelangi, um espaço para expressões artísticas e culturais, onde as pessoas LGBTIQ são treinadas para participarem de campanhas em defesa dos seus direitos.

De que forma sua organização vem utilizando os quadrinhos dos Princípios de Yogyakarta? 

Apresentamos os quadrinhos em diversas cidades na Indonésia, e o lançamento propriamente dito aconteceu em diversas cidades: Jacarta, Bandung e Yogyakarta. Nestes eventos, nós utilizamos recursos de arte e performances: dança, cultura pop, teatro, shows de “drag kings” e “drag queens”. Um fato interessante é que uma comunidade de lésbicas jovens da cidade de Bandung está disposta a criar grupos para jovens lésbicas, bissexuais e transexuais. Isto prova que conseguimos passar confiança a essas jovens. Também disponibilizamos os quadrinhos dos Princípios para outros ativistas dos direitos humanos e para grupos religiosos moderados e progressistas que apóiam os grupos LGBTIQ. Em muitas cidades em que lançamos o projeto, trabalhamos em conjunto com os grupos locais de direitos humanos, numa antecipação do trabalho de apoio ao advocacy contra às ameaças e ataques dos fundamentalistas durante nosso evento. Nós percebemos que poucos são os ativistas que conhecem os Princípios de Yogyakarta, então também nos envolvemos nesse processo de informação sobre seu conteúdo. Para nossa surpresa, recebemos inúmeras propostas de tradução dos quadrinhos vindas de diferentes países, como Brasil, Argentina, China, Tailândia Taiwan, Turquia, Japão e Paquistão, além de autorização para utilizá-los na organização das ONGS locais em seu trabalho junto aos jovens LGBTQI. Também levamos os quadrinhos às Nações Unidas e o apresentamos durante o painel da ILGA sobre a necessidade de se incentivar o acesso das pessoas LGBTQI à educação e ao trabalho, realizado durante a 55ª reunião da Comissão sobre o Status das Mulheres.

Como você se interessa por inovações e iniciativas artísticas, nos diga: existe algum plano de fazer um filme baseado nos quadrinhos?

Na realidade, temos, sim! Esse é nosso grande sonho, hoje: por que não termos outra ferramenta pró-direitos LGBTQI, como uma campanha em vídeo? Estamos na “era ICT” (Informação, Comunicação e Tecnologia), podemos disponibilizar um filme no Youtube, e espalhá-lo via internet para alcançar ativistas em todo o mundo. Certamente devemos utilizar mais ferramentas ICT para alcançar nossos objetivos!

 

Para ler a versão eletrônica dos quadrinhos sobre os Princípios de Yogyakarta (em inglês) em nosso site, acesse: www.pelangiperempuan.or.id/program/penerbitan-buku/yogyakarta-principles-comic/


Os grupos são incentivados a utilizarem os quadrinhos e adaptá-los às realidades e línguas locais, desde que os créditos sejam dados ao Institut Pelangi Perempuan. Um acordo escrito também deverá ser firmado entre o Instituto Pelangi Perempuan e a organização que deseja utilizar o material. Em caso de interesse, enviar email para pelangiperempuan@gmail.com

 

 

Os Princípios de Yogyakarta são um conjunto de normas internacionais de direitos humanos aplicadas à orientação sexual e identidade de gênero que se propõem a abordar provas documentais de violações dos direitos dos LGBT( lésbicas, gays, bissexuais e transexuais). Uma versão preliminar do documento foi elaborada durante o encontro da Comissão Internacional de Juristas com especialistas em direitos humanos de todo o mundo, de 6 a 9 de novembro de 2006 na Universidade Gadjah Mada, O documento apresenta 29 princípios adotados por unanimidade pelos especialistas, e traz também recomendações aos governos, instituições intergovernamentais, organizações da sociedade civil e ao sistema das Nações Unidas.

 

 

Tradução do inglês: Priscila Galvão 

 

 

 

 

Bookmark and Share