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Maior conferência LGBTI de sempre na Ásia elege novos representantes e escolhe Taiwan para próxima sede em 2015

in THAILAND, 15/04/2013

A 5.ª conferência da ILGA-Ásia, com o título emblemático de «Fénix Renascida», realizada entre 29 e 31 de março de 2013, registou a mais elevada participação de sempre de ativistas LGBTI da região, com mais de 250 delegados de cerca de 25 países e uma numerosa e entusiástica equipa de voluntários tailandeses que, durante os três dias da conferência, se revezaram em sessões de trabalho. O evento foi organizado conjuntamente pelas associações locais Anjaree e Rainbow Sky Association of Thailand, membros da ILGA.

O financiamento prestado pelas fundações Hivos, Arcus, SIDA e Open Society e pelos Ministérios dos Negócios Estrangeiros da Finlândia e dos Países Baixos possibilitou a sua realização, com a assistência do secretariado da ILGA-Mundo.

 

Diversamente da 3.ª Conferência, realizada em Chiangmai em 2008, que pagou honorários por um secretariado, esta 5.ª conferência da ILGA-Ásia baseou-se maioritariamente em trabalho voluntário local e internacional, pois a direção da ILGA-Ásia decidiu dedicar o orçamento à admissão de mais estudantes para a conferência. Todos ajudaram na preparação da logística: membros da presidência, delegados da conferência, a Co-Secretária Geral da ILGA Gloria Careaga… Voluntários da Indonésia, que chegaram antecipadamente, e voluntários locais da Rede de Diversidade Sexual da Tailândia, que juntaram os seus esforços aos das duas organizações anfitriãs, embalaram em elegantes sacos alusivos à conferência 200 conjuntos, com o programa, uma camiseta, um cordão e diversos brindes, como preservativos e lubrificantes. A meio do primeiro dia do evento, o material estava já esgotado e os organizadores tiveram de recorrer ao que sobrara da abortada conferência de Surabaia em 2010. Ainda assim, este não foi suficiente e alguns participantes retardatários tiveram de se contentar com o programa da conferência e outro material em envelopes castanhos.

A seguir à cerimónia de abertura, os Co-Secretários Gerais da ILGA Renato Sabbadini e Gloria Careaga deram início ao primeiro plenário sobre as dificuldades que a ILGA enfrenta, como federação mundial empenhada em apoiar a criação de federações regionais autónomas. Juntaram-se-lhes Sahran Abeysundara e Poedji Tan, representantes da direção da ILGA-Ásia na direção da ILGA-Mundo, e os anfitriões Anjana Suvarnananda, da Anjaree, e Kittinun Dharamadhaj, da Rainbow Sky Association of Thailand. Ambos saudaram os participantes e informaram-nos da situação dos direitos LGBTIQ no país.

Os participantes tiveram igualmente oportunidade de ouvir relatórios sobre a situação das pessoas LGBTIQ em alguns países, preparados antes da conferência pelos delegados do Barém, da Birmânia, do Camboja, da China, das Filipinas, de Honguecongue, da Índia, da Indonésia, do Japão, do Líbano, de Macau, da Malásia, da Mongólia, do Nepal, da Palestina, de Singapura, do Sri Lanka, da Tailândia, de Taiwan, do Vietname. Yahia Zaidi, da direção da ILGA-Pan-África, apresentou um relatório sobre o trabalho realizado pela federação em África. Manisha falou da situação das pessoas transexuais no Nepal e Hiker Chiu focou a questão da intersexualidade em toda a Ásia.

Os três dias do programa foram ocupados com sessões de trabalho temáticas, formações sobre instrumentos da ONU, reuniões sobre o futuro da ILGA-Ásia, restritas a membros da ILGA, e atividades auto-organizadas.

Foi criada uma equipa para fazer comunicações diárias no blogue da conferência. A coordenadora regional da ILGA-Ásia, JJ Josef, foi apoiada no seu trabalho por Ng Yi-Sheng (Singapura), Azusa Yamashita (Japão), Lana Tran (Vietname/Tailândia), Ernest J.K. Wen (Indonésia), Toni Almuna (Indonésia), Mikey Batbayar (Mongólia) e Stefan Joachim (Sri Lanka). Os membros da equipa do blogue também redigiram atas e participaram em várias sessões de trabalho, enquanto o membro da direção da ILGA-Ásia Suki Mijidsuren e JJ Josef se responsabilizavam pelo trabalho com os meios de comunicação, com a ajuda de Tao Hattirat, da organização tailandesa Anjaree.

E havia muito para relatar! O número de comunicações era tão elevado que algumas sessões de trabalho tiveram 6 ou 7 apresentações. Registou-se também um número recorde de pedidos para atividades auto-organizadas, que as quatro sessões de trabalho não conseguiram atender totalmente. Até a sala do secretariado da conferência foi ocupada por delegados!

Realizaram-se paralelamente 21 sessões de trabalho temáticas em 4 salas separadas. Os temas abrangeram uma ampla variedade de questões LGBTIQ, como: discriminação e homofobia/transfobia; saúde mental; religião e fundamentalismo; juventude LGBT; estratégias para militância LGBT sub-regional. Outros temas incluíram o caso da ASEAN; catástrofes e preparação das comunidades sexuais minoritárias para catástrofes; violência doméstica; sexualidade, ciberespaço e segurança; casamento de pessoas do mesmo sexo na Ásia; a temática LGBT nos sistemas nacionais de ensino; militância e educação sobre direitos; mulheres; sexo mais seguro; histórias de vida de homens intersexuais e transexuais; e HIV-SIDA.

 

As formações sobre as Nações Unidas visaram fornecer aos participantes mais conhecimentos práticos e habilitações no trabalho de militância. Como programa em si que era, a formação concentrou-se no envolvimento com os mecanismos da ONU relativos aos direitos humanos sobre orientação sexual e identidade de género; na redação de relatórios-sombra para a Análise Periódica Universal da ONU; no mecanismo do ICCPR (Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos) e denúncias individuais, militância e segurança; na militância LGBT em meios hostis; e, por fim, no mecanismo CEDAW (Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação contra a Mulher) e relatórios-sombra.

As organizações membros ILGA na região tiveram também oportunidade de se reunir e discutir a constituição e um plano estratégico para a sua federação regional, a ILGA-Ásia. As conversações abordaram igualmente o estabelecimento de uma delegação regional da ILGA-Ásia, tendo sido delineadas seis tarefas como prioridades para o seu trabalho: criação de capacidades para as organizações LGBTI; organização de conferências regionais; investigação, documentação e partilha/divulgação de investigações; lobbying e militância aos níveis regional e internacional; desenvolvimento de referências informativas para toda a região; e instalação de uma delegação da ILGA-Ásia, cuja localização não foi ainda decidida. Banguecoque é uma das opções, mas convém investigar mais profundamente a melhor sede para este serviço. Entre os fatores a considerar na seleção de uma delegação da ILGA, citem-se: aspetos relativos à segurança; abertura do país para albergar organizações não-governamentais e serviços de estatísticas centrais de âmbito regional; acessibilidade aos membros da direção da ILGA e aos membros regulares (por exemplo, vistos e custos de passagens aéreas). Esta estratégia, que a direção da ILGA-Ásia porá em prática por meio de um plano operacional, foi aprovada pelos membros da ILGA durante a Assembleia Geral, juntamente com os estatutos.

Os membros da ILGA tiveram igualmente de decidir a cidade anfitriã da próxima conferência. A votação favoreceu Taiwan contra o Camboja, que também se candidatou. Por conseguinte, Taipei albergará a 6.ª Conferência da ILGA-Ásia, em 2015.

Por último, os membros da ILGA elegeram uma nova direção: Otgonbaatar Tsedendemberel (LGBT Centre, da Mongólia), representando a Ásia oriental; King Oey (Arus Pelangi, da Indonésia) e Poedjiati Tan (Gaya Nusantara, da Indonésia), representando a Ásia do sueste; Stefan Joachim (Equal Ground, do Sri Lanka) e Yogita Singh (Sangini, da Índia), representando a Ásia meridional; e um representante da Ásia ocidental, que pediu o anonimato. Os participantes escolheram ainda dois membros da direção recém-eleita (de sexo feminino e não-feminino, conforme os estatutos da ILGA) para representarem a região asiática na direção da ILGA-Mundo: Dana Zhang (Chinese Lala Alliance, da China) e Kaona Saowakun (da Tailândia).

Dana Zhang referiu-se nos seguintes termos às suas funções enquanto membro da direção da ILGA-Ásia e representante junto da direção da ILGA-Mundo:
«É minha convicção que a ILGA-Ásia está apenas a começar a sua longa e excitante jornada. Comparando o número atual de membros com a população total do continente, estamos a começar a tornar-nos visíveis e a assinalar a nossa presença. Com o meu anterior trabalho no movimento LGBT durante os últimos quatro anos, ganhei experiência prática, especialmente em relação à criação e ao reforço da rede. Tenho muita honra em fazer parte da rede da ILGA, para partilhar a minha experiência na criação de uma rede e de uma instituição, e em participar no nascimento de uma ILGA-Ásia mais forte e eficaz.»

Kaona Saowakun, que também se chama Toto, foi eleita representante trans na direção da ILGA-Ásia e falou da diversidade da experiência trans: «As pessoas transgénero não são apenas mulheres», afirmou, exprimindo o seu desejo de veicular no seio da ILGA a voz de mulheres e homens trans. Este membro recém-eleito da direção da ILGA-Ásia espera criar um secretariado da ILGA na Tailândia.

No seu discurso de encerramento, Renato Sabbadini, Co-Secretário Geral da ILGA, agradeceu aos membros cessantes da direção da ILGA-Ásia, Sahran Abeysundara, Ashley Hsu-liang Wu, Sukhragchaa Mijidsuren e Frank/Gina Jian gang Zhao. Regozijou-se pelo facto de as feridas de Surabaia em 2010 se terem sarado com o sucesso desta conferência de Banguecoque: a Fénix renasceu e alçou voo! O movimento LGBTI asiático reunir-se-á de novo em Taiwan, para mais uma escala na sua viagem!

Tradução: Jorge-Madeira Mendes
 

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