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Stephen Barris, ILGA Programmes Officer |
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Se bem que, num mundo normal, a eleição de um papa devesse interessar apenas as pessoas que seguem os ensinamentos da religião católica, a influência que a Igreja Católica Romana tem sobre muitos governos e autoridades que regem a vida, tanto de católicos como de não-católicos, justifica a atenção dos ativistas e organizações LGBTI na maioria dos países do mundo em relação à eleição de Francisco I.
Por muito de novo que a eleição do cardeal Bergoglio represente para a Igreja Católica (o primeiro da América Latina, o primeiro jesuíta, o primeiro a adotar o nome de Francisco), pouquíssimo vai mudar no que se refere à posição das hierarquias do Vaticano sobre orientação sexual e identidade de género. A oposição feroz de Bergoglio às leis argentinas sobre o matrimónio homossexual e a identidade de género não deixa muito espaço para a esperança ― apesar de o movimento LGBTI ter tido consciência, desde o começo do conclave, de que nenhum dos «papáveis» poderia ser realmente considerado como um potencial líder progressista da igreja católica romana. Todavia, se o novo papa está realmente empenhado na luta contra a injustiça da pobreza, então também deveria dar-se conta de que as pessoas marginalizadas por motivo da sua orientação sexual ou da sua identidade de género acabam no mesmo círculo de pobreza e exclusão social como os demais.
Ativistas e organizações LGBTI laicas, que não querem que entidades religiosas interfiram com o usufruto dos seus direitos humanos, e ativistas e organizações LGBTI religiosas, que procuram mudar a estrutura opressiva das suas igrejas a partir do interior, terão de unir forças numa nova luta pela libertação de lésbicas, gays, bissexuais e pessoas transexuais e intersexuais, independentemente da sua fé (ou da ausência dela).
Gloria Careaga e Renato Sabbadini
Co-Secretários Gerais da ILGA