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Homossexuais protestam contra declarações do nº 2 do Vaticano

in ARGENTINA, 25/04/2010

As declarações do cardeal Tarcisio Bertone, que associou a pedofilia à homossexualidade durante uma visita recente ao Chile, levaram, este sábado, centenas de pessoas às ruas de cidades como Paris, Lima (Peru) e Buenos Aires (Argentina), para declarar seu repúdio à posição do clérigo, ainda que o Vaticano não tenha reiterado as afirmações.

Em Paris, cerca de cem pessoas se reuniram para denunciar as declarações do cardeal Bertone, número dois do Vaticano, constatou a AFP.

Convocados pela Interassociação de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (Inter-LGBT), que reúne sessenta entidades, os manifestantes quiseram "denunciar as declarações escandalosas procedentes do Vaticano, visto que foi o número dois do Papa quem as fez", declarou à AFP Daniel Meyer, tesoureiro da organização.

Durante pouco mais de uma hora, os manifestantes gritaram palavras de ordem como "Vaticano, Estado homofóbico".

Em Lima, cerca de cinquenta católicos enfrentaram um grupo de homossexuais que protestava ante o Núncio Apostólico por causa das declarações do cardeal Bertone.

A manifestação, convocada pelo movimento "Transsexuais, Lésbicas, Gays e Bissexuais" (TLGB-Peru), que reuniu dezenas de pessoas, recebeu a imediata resposta do grupo de católicos, que formou um cordão humano em frente à sede diplomática para defendê-la de "ataques blasfêmicos" de seus "irmãos equivocados".

Os grupos ficaram duas horas em suas posições, enfrentando-se verbalmente com rezas e cânticos religiosos por um lado, e lemas anticlericais e palavras de ordem como "a pedofilia é um crime, a homossexualidade, não", pelo outro.

A tensão chegou ao clímax quando um padre que saía do núncio cruzou uma barreira policial que separava os dois grupos e encarou os homossexuais, afirmando que sua presença no local era "obra do demônio".

Os homossexuais responderam, declarando, em coro, "Encobrir um crime também é crime!", em alusão às versões segundo as quais o papa Bento XVI teria protegido, anos atrás, sacerdotes católicos acusados de abuso sexual para evitar o escândalo.

Em Buenos Aires, um cartaz com os dizeres "O abuso é um crime, a homossexualidade, não" foi instalado por um grupo de ativistas gays na porta da catedral da capital argentina.

Uma dezena de integrantes da Comunidade Homossexual Argentina (CHA) protestou em frente ao templo católico, situado diante da Praça de Maio, onde desfraldaram bandeiras com as cores do movimento gay.

"Expressemos nosso repúdio aos abusos contra meninos e meninas. Denunciemos o silêncio do Vaticano", dizia o cartaz, enquanto outro trazia a inscrição: "não sejamos cúmplices do silêncio da Igreja Católica Argentina. Acobertar é crime".

Há dez dias, durante visita ao Chile, o cardeal Tarcisio Bertone, número dois do Vaticano, declarou que "muitos psicólogos, muitos psiquiatras demonstraram que não há relação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros demonstraram e me disseram recentemente que há relação entre homossexualidade e pedofilia".

O Vaticano manteve distância destas declarações.
 

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