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Stephen Barris, ILGA |
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Gloria Careaga, co-secretária da ILGA e integrante da direcção da ILGA-LAC fala-nos sobre as perspectivas do movimento LGBT na América Latina e Caribe e do potencial de ativistas lésbicas na V conferência da ILGA-LAC que decorre em Curitiba, Brasil.
Trabalhando com a ILGA, desde 1991, começando numa conferência falhada realizada no México. Tivemos que mudar de local, no último minuto, porque as autoridades locais não deram autorização e então mudamo-nos para outra cidade. Isso gerou uma série de problemas. Mas para mim foi uma excelente oportunidade de envolver-se na associação e no contexto internacional; conhecer a associação e as pessoas que dela faziam parte.
Neste momento, penso que temos na região e em todos os países de língua espanhola já conseguimos a descriminalização da condição de lésbicas ou gays,e as pessoas trans estão cada vez com maior visibilidade. Acho que demos passos muito, muito importantes na construção de um movimento sólido, que deixamos para trás a ideia de pecado, de doença, e agora somos ativistas, somos cidadãos, legítimos interlocutores com o governo em quase todos os países, e acho que esta é uma oportunidade como região, e como ILGA-LAC que não podemos deixar passar, a oportunidade para começar a construir uma agenda muito mais clara e tomar medidas para definir a sua direção.
Acho que, como movimento LGBT, está cada vez mais claro que somos contra todas as formas de discriminação e que, desde a nossa força política, podemos contribuir também para uma transformação, de modo que as condições na região sejam favoráveis.
O plano de incidência política que decidimos desenvolver tem a ver precisamente com o fato que é o Estado, é o Governo, a figura das instituições do governo que se constituem nos responsáveis de garantir os nossos direitos. Em mutos países, foi precisamente a discriminação, a violência que vinham destas instituições. Neste sentido me parece que o fazer inserção política com as instituições do governo foi um passo, muito importante. Além disso, não foi a única tarefa, o único objetivo que nós reivindicamos: o desafiao de dar a cara, de sermos visíveis foi uma estratégia muito pertinente, foram caminhando de maneira paralela. O que em determinados países havia sido considerado como crime a condição gay ou lésbica me parece que era algo inaceitável e que tínhamos que lutar para que esta condição desaparecesse. Além disso, nós temos interferido cada vez mais no trabalho internacional, nos acordos internacionais e necessariamente isto faz com que tenhamos que acompanhar de perto os governos e de ser vigilantes, qual é a função, qual é o papel que estão desempenhando nestes espaços, quais são os compromissos que adquirem, de tal maneira que podemos garantir que isto se converta numa realidade e não fique apenas no papel, na assinatura mas sim que realmente os governantes comecem a tomar as devidas providências para proteger os nossos direitos.
O atual mapa político da região é muito complexo. Complexo, porque a mesma definição do que seja um governo de direita ou um governo de esquerda não corresponde às idéias tradicionais que tínhamos. E, neste sentido, o momento atual exige que façamos uma análise muito mais detalhada, muito mais precisa. E, exige,também, como afirmei anteriormente, que façamos alianças com outros movimentos sociais que nos permitam avançar exatamente na construção de estados democráticos, e no combate à pobreza e a qualquer tipo de discriminação. Por outro lado, creio que se, individualmente, estamos visando exclusivamente os nossos direitos, não estamos considerando qual é a situação em que vivemos. Mais do que isso, não estamos levando em conta a diversidade do movimento. Isto é: o movimento lgbt seria um movimento de classe média, instruída, quando sabemos que esta não é a realidade, e muito menos em nossa região Assim, precisamos ter bem claro quais são as várias dimensões que permeiam o perfil da nossa população GLBT, mas, também, contribuir e nos aliarmos a outros movimentos sociais que nos darão a força de um movimento social abrangente, que possa efetivamente contribuir para a transformação da sociedade.
Os desafios que me coloquei quando decidi que queria ser Co-Secretária Geral da ILGA foram, justamente, melhorar ou fortalecer sua estrutura e incrementar processos de institucionalização em toda a organização. Neste sentido, para mim, um dos resultados desta conferência da ILGALAC será que, já que somos a segunda região em importância numérica para a ILGA, me interessa, em 1º lugar, que tenhamos uma estrutura muito mais sólida; que o conselho que se defina aqui, que vai representar todas as organizações da região, seja um conselho muito mais comprometido e com uma agenda muito clara que sairá justamente dessa assembléia que vai indicar o caminho que vamos trilhar. É o que eu poderia dizer, em termos gerais, em relação à conferência
Com relação às lésbicas, o que me interessa é que tenhamos uma maior visibilidade e uma capacidade de “pressão’ muito mais forte para sermos cada vez mais visíveis. Não apenas numericamente, mas também participando intensamente das diferentes atividades. Há uma estratégia já definida no programa da conferência para que mais lésbicas estejam visíveis. Já que não temos a visbilidade numérica, penso que isso vá colaborar para que avancemos. Este foi também nosso objetivo ao realizar a oficina de liderança que tivemos antes da pré –conferência. E a discussão durante aquele evento me pareceu interessante já que revela claramente a maturidade e a análise política que somos capazes de fazer visando definir uma melhor estratégia
A I LGA possui uma política de ações positivas para as mulheres, que visa justamente alcançar um melhor equilíbrio dentro da organização. Sem dúvida, as ações positivas que já estão definidas no regulamento, nos estatutos da ILGA não foram suficientes para colocar as mulheres no lugar que lhes cabe.
Desta forma , depois de identificar algumas das lacunas já visíveis neste movimento, decidimos dar início a um projeto de empoderamento e de incidência política para mulheres.
Traduçao: Priscila Galvao, João Paulo (PortugalGay.PT), Paulo Roberto Celestino Guimaraes