Home, Asia, Europe, North America, Latin America and Caribbean, Oceania, Notícias, Mapa do site



PT
Início / Secretariado De Mulheres / Peru / Articles / Susel Paredes, ex-Secretaria Lésbica de la Región Andina (VIDEO)
lendo mapa..

Facebook

Ocorreu um problema técnico e não foi possível suportar o formato deste vídeo. Verifique se o javascript está ativado e se há uma versão mais recente do Flash
Susel Paredes, ex-Secretaria Lésbica de la Región Andina (VIDEO)

in PERU, 02/02/2010

Sou Susel Paredes, Secretária Regional Lésbica desde esta tarde. Sou Peruana e estamos aqui em Curitiba, onde se vem realizando uma conferência histórica. Pela primeira vez , 417 pessoas de 37 países nos reunimos para discutir os problemas mais importantes e apresentar nossas propostas de solução para a região da ILGA-LAC.

Vejo a participação muito dinâmica das lésbicas, e neste caso, há uma característica especial: finalmente, estendemos uma ponte entre o Pacífico e o Atlântico para fazer com que o Brasil comece a trabalhar conosco. É importante reforçar esta unidade entre um “continente”, como o Brasil e nosso continente (o resto da América Latina e o Caribe). Não podemos abandonar este processo de articulação que se iniciou. Além disso, é preciso persistir na coordenação, porque há muito a aprender e muito a “trocar” entre as brasileiras e nós, das regiões andina e caribenha,

A generosidade das e dos dirigentes nos permitiu elaborar listas de pontos de consenso que vão nos poupar grande quantidade de energia e tempo em processos eleitorais que reproduzem o pior da política tradicional. Ao criar o consenso, vamos avançar na elaboração de políticas e ações e já não estamos mais simplesmente buscando votos e etc

Creio que o processo na região andina possui algumas características especiais, mas no fundo, acredito que se possa instalar daqui pra frente a não reeleição como regra. Porque as pessoas que vêm para a ILGA não são militantes recentes e aprendizes; as pessoas que vêm a esta instituição internacional representando seus países já são pessoas com experiência e capacidade de gestão. Portanto, creio que é preciso ter generosidade para passar o cargo às que chegam e, no caso das lésbicas, temos que aprender a entregar o trabalho às mais jovens. Se não, pode acontecer conosco o que ocorreu no movimento feminista, em que temos algumas “vacas sagradas” maravilhosas, que permanecem em alguns postos-chave que já deveriam estar ocupados por pessoas, não de 30, mas de 40 anos que ainda não tiveram a oportunidade de ocupar esses postos.

Acredito que, se não quisermos repetir os erros de outros movimentos, devemos aprender a ceder e permitir que essas pessoas que assumem os cargos contribuam com o movimento, o grupo, o partido. Creio que devemos apoiá-las sempre com nossa experiência, nossa orientação para que façam o melhor trabalho possível. Nossa possibilidade de nos inserirmos nos espaços de poder nos grupos mistos, de termos organizações lésbicas com capacidade de pressão e forte incidência política, são temas muito importantes, assim como é importante que as lésbicas estejam na direção dos grupos mistos.

O outro tema-chave é que não se vê o que é mais importante. Temos de falar dos problemas de saúde das lésbicas, que não estão relacionados às infecções sexualmente transmissíveis. Temos que falar de um problema concreto, como a obesidade, o consumo abusivo de álcool; temos que desenvolver ações concretas em relação aos problemas mais evidentes. E isso também merece uma auto-critica que temos que fazer o mais rápido possível. A relação com o movimento feminista já está muito avançada; creio que chegamos a um ponto de equilíbrio e respeito muito importante. Já não somos mais as irmãzinhas mais caçulas do movimento feminista. Somos um movimento que se relaciona em pé de igualdade com o movimento feminista, e já temos relações concretas com o movimento indígena. A última Marcha do Orgulho foi feita juntamente com o movimento indígena, temos uma liderança indígena trans no México; também temos relações com o movimento de trabalhadores. Dentro de uma abordagem mais abrangente do trabalho, tivemos permissão para trabalhar o tema da diversidade sexual em alguns sindicatos e centrais sindicais

Creio que este processo está avançando lentamente, mas a passos firmes, a relação com o movimento indígena é fundamental numa região onde existem inúmeros povos indígenas que estão na mesma situação de exclusão, de pouco reconhecimento por parte do Estado, são tão invisíveis quanto nós. Creio que devemos buscar os pontos comuns com cada um desses movimentos.

 

Tenho um compromisso que é apoiar Toli com toda as minhas forças para que tenha êxito em sua gestão e a quem for eleita Secretária da Região Andina. Na verdade há tarefas, como o acompanhamento do julgamento da juíza chilena Atala, que, comecei a fazer durante a minha gestão. Entrei com um ação de Amicus Curiae junto à Comissão de Direitos Humanos que já foi aprovada. Este é um compromisso da ILGA que, mesmo não ocupando mais o cargo, acompanharei, como advogada, até a conclusão do processo.

 

Bookmark and Share