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Marcha do Orgulho São Paulo 2005 - 9ª Edição

in BRAZIL, 29/05/2005

Mais de 2 milhões desfilaram em São Paulo

Os números ainda são controversos. A Polícia Militar afirma que foi 1,8 milhão. No entanto, quem esteve lá consegue pensar facilmente que foram mais de 2 milhões, com certeza. É só comparar com o 1,5 milhão do ano passado. Dessa vez, havia muito mais pessoas, estava tudo mais lotado e os trios demoram muito mais para fazer o percurso da Avenida Paulista até a Praça da República.
Vai ser difícil chegar a um resultado correto. Durante a tarde, as emissoras de televisão SBT e Globo, que cobriram com seus helicópteros o evento, anunciaram 3 milhões. A central da Polícia Militar disse, antes do fim da parada, que o número final ficaria entre 1,8 e 2 milhões. Por sua vez, o Comando da PM para a Operação Parada, que tradicionalmente anuncia os números oficiais, informava que já haviam passado 2,5 milhões às 21 horas.

Não importa. Para o vice-presidente da APOGLBT, Renato Baldin, o mais importante é que a parada signifique uma transformação na vida das pessoas, não importa o número dos que foram.

Passo a passo

Por volta das dez horas da manhã, a movimentação já era intensa perto do prédio da Gazeta. Alguns se dirigiam para o palco da Parada, outros tomavam um café da manhã mais reforçado ou davam uma olhada na Fnac, que preparou até sacola especial para a Semana do Orgulho GLBT. Nos estacionamentos da Alameda Santos, go-go boys preparavam o corpo com glitter para destacar os músculos. Drags e travestis já chegavam montadas.
Perto do meio-dia, a APOGLBT pediu uma cobertura séria dos jornalistas – o que não ocorreu em alguns casos. Nesse momento, iniciou-se a pesquisa organizada pela associação.

Logo em seguida, começou o show comandado pelos DJs Catatau e Vagner, da Trash 80’s. A apresentação foi comandada pela apresentadora Astrid Fontanelli e pelo jornalista e presidente da Comissão Municipal de GLBTs, Celso Curi.
Claro que os famosos roubaram a cena. O ator global Bruno Gagliasso, que vive o personagem gay Junior, na novela “América”, disse para o público que está lá “como cúmplice e não como profissional”. Jean Wyllis foi recebido com muitas palmas. Naquele momento, já havia na Avenida Paulista mais de 100 mil pessoas, de acordo com informação da Polícia Militar. Jean afirmou que a Parada fortalece a cidadania de gays e lésbicas.

Os famosos deram lugar ao presidente da Parada, Reinaldo Pereira Damião, que começou seu discurso anunciando o Gay Folia, a primeira micareta gay, em 2 de julho, no Sambódromo do Anhembi. A essa altura, a Paulista já estava lotada. Foi um momento adequado para se falar de coisa séria. O apresentador Leão Lobo começou sua fala lembrando que o projeto de Parceria Civil Registrada já está em tramitação há 10 anos. Renato Baldin reclamou da falta de patrocínio para a realização de um evento desse porte.

O ator Sérgio Mamberti falou em nome do ministro da Cultura, Gilberto Gil, e do presidente Lula. Ele lembrou que este é o primeiro governo a ter uma secretaria específica para lidar com a diversidade. A deputada federal Zulaiê Cobra (PSDB) prometeu pressionar para que a Câmara “tire da gaveta” o projeto de PCCR.

Depois das falas mais sérias, hora de cultura. Verôncia Pires, cover de Madonna, fez um show agitado. No canto do palco, dava para ver Mark Tewksbury – presidente do OutGames de Montreal 2006 -, rebolando ao som de “La Isla Bonita”. O diretor José Celso Martinez Corrêa cantou, junto com seu namorado Marcelo Drummond, um poema de Verlaine.

Como nem tudo são flores, Astrid comunicou que as pulseirinhas que servem como arrecadação de dinheiro para a APOGLBT começaram a ser falsificadas.

Para abertura oficial, às 14 horas, a cantora Laura Finochiaro puxou o Hino Nacional. A essa altura, o público era tão grande que a Alameda Santos, paralela à Avenida Paulista, também teve de ser interditada. Logo mais, seriam fechadas também a Rua São Carlos do Pinhal e as duas pistas da Rua da Consolação.
Perto das 15 horas, já eram 2 milhões de pessoas marchando de acordo com as informações da Organização da Parada. De um dos carros, o deputado federal José Genoíno, acompanhado da ex-prefeita Marta Suplicy, fez um discurso improvisado, falando que a parada é um exemplo de civilidade e que já está mais do que na hora do PPCR ser aprovado. Eduardo Suplicy seguia a parada do chão, cercado de drag-queens.
O primeiro carro chegou à Consolação às 16 horas. A via já estava lotada até a metade e seis carros sequer haviam saído. Apesar de alguns problemas, como dois carros que ficaram sem som, tudo correu bem.

Valeu a pena
São Paulo foi tomada ontem por uma diversidade pouco vista em um único lugar. De senhoras que se tornaram lésbicas depois de viúvas a casais heterossexuais e simpatizantes da causa, havia uma infinidade de opções desfilando pelo trajeto. Essa diversidade é válida e serve para mostrar que é possível viver em uma sociedade mais justa e tolerante. Nenhum incidente mais grave foi registrado, nem pela polícia, nem pelo atendimento médico.

O verdadeiro efeito da parada não deve se limitar a esse único dia. Prova disso foi a infinidade de ações que ocorreram e seguem pelas próximas semanas. No próximo ano, São Paulo pode aguardar uma festa ainda melhor.
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