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anonymous contributorPublicado anonimamente. (Português)

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marcado com: homofobia
Acções de luta contra Homofobia

in PORTUGAL, 15/05/2005

Manifestação em Viseu levanta polémica

Manifestação contra a homofobia marcada por insultos.

A manifestação contra a homofobia realizada hoje à tarde em Viseu foi marcada por insultos aos manifestantes. Segundo a organização, participaram 300 pessoas[...].

"Eu amo quem quiser, seja homem ou mulher"


...e "Direitos iguais, nem menos nem mais" foram algumas frases entoadas pelos participantes da manifestação "Stop homofobia", promovida por 14 associações de defesa dos direitos dos homossexuais.

Mas muitos foram aqueles que se deslocaram ao Rossio apenas para assistir à iniciativa, colocando-se nas extremidades daquela praça, sendo que alguns manifestaram o seu descontentamento com frases como "Isto é uma vergonha" ou "Havia de ser no tempo de Salazar".[...]

Mas os insultos vieram também dos mais jovens, nomeadamente de um grupo de três que passando e vendo a concentração teceu comentários que mereceram uma vaia dos manifestantes.[...]

Fernando Ruas esteve presente.
A organização congratulou-se ainda com a presença do presidente da Câmara Municipal de Viseu, Fernando Ruas, que esteve no Rossio acompanhado pelo vereador Cunha Lemos e pelo comandante da Polícia Municipal. Na altura, disse defender que "ninguém pode ser discriminado pela sua orientação sexual".

Por outro lado, o autarca social-democrata referiu aos jornalistas sentir-se desagradado com "alguns adjectivos que quiseram colocar à cidade e ao concelho", dando-lhe a conotação de "capital da homofobia".

Em Viseu, "todos os cidadãos vivem com tolerância, à vontade, sem discriminação. Não nos vão sujar a imagem, não deixamos", frisou.

Fernando Ruas não gostou que a organização tivesse anunciado ao microfone os partidos que estavam representados na concentração - nomeadamente BE, PCP e PS (JS) -, dando a ideia que os ausentes "são homofobos", e considerou que esta devia ser uma iniciativa de sociedade civil. Entre os presentes encontravam-se também o advogado Adelino Granja e os deputados da Assembleia da República Teixeira Lopes (BE) e Miguel Ginestal (PS).

Um dos momentos mais marcantes da tarde foi quando Pedro Russo, o jovem de 30 anos que se queixou na PSP de Viseu de andar a ser perseguido e que gerou o movimento que originou a manifestação de hoje, pegou no microfone e contou a sua experiência.
"Fui perseguido, tive uma pistola apontada à cabeça. Sofri muito, mas estou aqui e ninguém me deita abaixo. Até hoje nunca dei a cara, hoje faço-o sem qualquer tipo de preconceito e não me importo que amanhã me apontem o dedo", afirmou, levando os presentes a gritar "não estás só".

Um casal "gay" de turistas holandeses exibiu para as câmaras de televisão as suas alianças, considerando os episódios de alegadas agressões em Viseu "ridículos" e "vergonhosos".

Já Sérgio Vitorino, da Panteras Rosa - Frente de Combate à Homofobia, referiu que este é "um problema nacional", sendo que "o que é novidade é ter havido em Viseu um punhado de gente que não se calou" perante as perseguições, porque, salienta, "normalmente impera o silêncio".

Na mesma ocasião, foi ainda aprovada por unanimidade e entregue em mãos ao representante do Governo Civil de Viseu, Alcídio Faustino, uma moção onde são exigidas "medidas concretas do Governo português para erradicar a homofobia e a discriminação da sociedade portuguesa".

Notícia editada de um original do Jornal Público.
Público


"É preciso tornar a homofobia visível"


"Ainda bem que aconteceu Viseu." É esta, paradoxalmente, uma das frases que fica do debate "homofobia à portuguesa", uma das iniciativas associadas à celebração, por parte das associações gays e lésbicas portuguesas, de um dia mundial contra a homofobia. Viseu, sublinham vários participantes do debate, "teve a virtualidade de colocar a palavra homofobia na ordem do dia, de assumir um conflito que na maior parte do tempo permanece invisível. Em Viseu temos alguém contra quem lutar."

Aquela cidade do norte de Portugal foi, como é sabido, palco de uma série de ataques a homossexuais por parte de um grupo de jovens que assumiram o seu "nojo" por quem assumisse essa orientação sexual. E, como frisa Paulo Côrte-Real, da ILGA-Portugal, iniciou "uma mudança de paradigma" "É a vez de obrigarmos a homofobia a explicar-se, em vez de assistirmos às tentativas de explicação da homossexualidade como 'erro' ou 'desvio'"
[...]
No debate, em que participaram também Alda Macedo, deputada do BE, Fernando Cascais, da associação Janela Indiscreta, e Sérgio Vitorino, das Panteras Rosa, analisaram-se as diferentes facetas da homofobia - a "tradicional", a "reactiva", e aquela que Vitorino escreveu como "light" "é a que diz 'eu sou solidário com este movimento, sou a favor dos homossexuais, mas não concordo com as reivindicações todas, sou contra o casamento e a adopção'." Trata-se, diz o dirigente das Panteras, de "recusar a igualdade: damos 90%, 95% dos direitos, mas não todos." Para Vitorino, "ou somos iguais ou não somos". Para este activista, chegou a altura de os LGBT deixarem "fazer uma pedagogia defensiva."

A criação de um dia mundial contra a homofobia (17 de Maio foi escolhido por ser o dia, há 15 anos, em que a homossexualidade foi retirada pela OMS da lista das doenças mentais) faz parte da nova ofensiva mundial LGBT. Uma petição recolheu em Portugal duas mil assinaturas, já entregues no parlamento. A ideia é que cada país pressione a ONU nesse sentido.

Notícia editada de um original do Jornal Diário de Notícias.
Diário de Notícias
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