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LÉSBICAS NO III REICH: SER INVISÍVEL OU DESAPARECE

in GERMANY, 11/04/2005

Uma página da história deste período negro permanece porcontar, aquela do destino reservado às lésbicas na Alemanha no período 1933 - 1945

Este ano, uma grande parte da Europa está a celebrar o 60º aniversário
sobre a libertação da ocupação Nazi. Por esta ocasião muitos livros
novos, análises e biografias estão a ser publicadas para manter viva a
memória. Porém, uma página da história deste período negro permanece por
contar, aquela do destino reservado às lésbicas na Alemanha no período
1933 ˆ 1945. Muitos têm ido ao ponto de afirmar que as lésbicas não
foram vítimas do regime Nazi. Estas afirmações parecem absurdas quando
se leva em conta o facto de a homossexualidade ser considerada um
defeito pela ideologia nacional-socialista e que muitas mulheres que não
mantinham as suas tarefas tradicionais de casarem e ter filhos de forma
a perpetuar a raça Ariana pura serem consideradas suspeitas. A ausência
concreta de documentos, cartas, e testemunhos públicos constituem um
sério desafio para aqueles que pretendem esclarecer o assunto. Quase
sozinha nesta tarefa está a investigadora alemã Claudia Schoppmann.
Devido à falta de história escrita, ela teve que recorrer a testemunhos
individuais para juntar a história e manter a memória viva.


Um dos seus livros “Zeit der Maskierung Lebensgeschichten lesbischer
Frauen im Dritten Reich” ( Dias de Mascaradas: Histórias de Vidas de
Lésbicas no III Reich )
é uma comovente colecção de narrativas que
relatam as opressões sofridas por lésbicas sob Hitler. Estas histórias
relatam uma efervescente e eufórica atmosfera lésbica nos anos 20 em
Berlim, a cidade casa de uma impressionante quantidade de bares, clubes,
associações e revistas direccionadas a lésbicas. Apesar disto, esta
vivacidade enfrentou ataques lesbofónicos violentos. De 1909 em frente,
o governo tentava incluir mulheres polémico parágrafo 175 que
criminalizava actividade homossexual entre homens. Mais tarde, durante
anos, profissionais de lei Nazi, criminologistas e teóricos vão manter a
pressão para incluir as mulheres no parágrafo 175. Para estes teóricos,
o lesbianismo é uma ameaça à pureza racial e uma maneira de afastar
mulheres dos homens e de dissociá-las da instituição do casamento.

Porém, por umas quantas razões diferentes o lesbianismo nunca será
incluído no parágrafo 175.
Primeiro, na sociedade alemã da altura, as
mulheres eram excluídas de importantes posições políticas e
administrativas; a sua influência não é portanto temida. Segundo, de
acordo com relatórios médicos do final do século XIX, a homossexualidade
feminina não é necessariamente contrária ao desejo de casar e cuidar da
família. Esta última teoria reconforta a ideologia Nazi que mantinha que
a homossexualidade era uma doença que podia ser tratada e a ideia que a
homossexualidade podia estar largamente disseminada pela Alemanha
certamente não estaria de acordo com a sua concepção de uma “raça pura
mestra‰.

Finalmente, relações Œintimas‚ entre mulheres são um assunto do dia a
dia, identificar quais entre elas eram de natureza sexual seria
simplesmente muito difícil.
Era então considerado que a melhor maneira
de evitar o alastramento da Œepidemia‚ era manter o assunto no silêncio
e oprimido. Era por esta razão que as lésbicas escapariam ao destino dos
homossexuais sob o regime Nazi: 50000 deles seriam condenados pelo
parágrafo 175, e entre eles 15000 enviados para campos de concentração,
2/3 dos quais jamais regressariam. Porém o silêncio à volta da temática
lésbica desta época não nos permitem calcular até que ponto elas eram
perseguidas nem descartar o seu sofrimento.

Rusgas em bares de lésbicas

A comunidade lésbica foi duramente atingida pela ascensão de Hitler à
chancelaria em 1933. Rusgas em bares de lésbicas e gays tornaram-se tão
frequentes que todos fecharam rapidamente um atras do outro. Em Berlim
apenas alguns bares clandestinos ˆ escondidos nas traseiras ˆ
sobreviveriam. A Imprensa lésbica foi proibida, associações
desmanteladas e testemunhos pessoais provam que os Nazis mantinham
listas de mulheres lésbicas. Numerosos relatos pessoais reunidos por
Mrs. Schoppmann mostram que as lésbicas viviam em constante temor de
serem denunciadas às autoridades ou de serem despedidas dos seus
empregos. A maioria das mulheres entrevistadas dizem que elas adoptavam
uma aparência mais Œfeminina‚ para evitar suspeita e adaptaram o ideal
Nazi. Pressão social era tal que muitas delas decidiram casar, algumas
com homens homossexuais. No final, a única maneira de evitar a
perseguição como lésbica era conformarem-se e desistirem de ser
lésbicas.


É agora conhecido que muitas lésbicas eram, porém, detidas,
imprisionadas e enviadas para campos de concentração.
Podemos ler em “Dias de Mascaradas” a história de Lotte Hahm, uma das mais importantes
activistas lésbicas de Berlim que foi detida antes da guerra e enviada
para um campo de concentração por muitos anos devido à sua associação
com numerosos clubes e organizações de lésbicas. A presença de certas
áreas reservadas para lésbicas é evidente em campos como o de Butzow,
onde as lésbicas eram mal tratadas e humilhadas. As SS muitas vezes
encorajavam as outras prisioneiras a violá-las. No campo para mulheres
de Ravensbruck, as lésbicas eram rotuladas com um triângulo cor de rosa
com as iniciais „ LL „ ˆ Lesbische Liebe/ Amor Lésbico - . Mas a maior
parte das vezes, as lésbicas eram portadoras do triângulo vermelho
utilizado para identificar prisioneiros associais. Este termo era usado
para designar todos aqueles que não encaixavam nas normas, incluindo os
sem abrigo, os desempregados, prostitutas, homossexuais e os Roma.

Forçadas para a Prostituição

A Sra. Schoppmann também nos traz o testemunho de um homossexual, Eric
H., que conhece Else ( o seu último nome é desconhecido ) num campo de
concentração. Ela trabalhara em Potsdam como empregada de mesa e vivia
com a sua amante. Fora levada pela policia por causa da sua
homossexualidade, mas fora registada em Ravensbruck como Œ associal Œ.
Seria depois transferida para o campo de Flossenburg onde a maioria dos
prisioneiros eram homens Œassociais Œ ou criminosos. Os dois iriam
encontrar-se no bordel do campo em 1943.


Os Nazis estabeleceram bordéis em numerosos campos em 1942; acreditavam
que esta era uma boa maneira de aumentar eficiência dos trabalhadores
forçados na industria do armamento.
De acordo com Schoppmann, Himmler
considerava que os bordéis podiam ser uma boa maneira de curar os homens
homossexuais. Um numero elevado de mulheres eram obrigadas a trabalhar
como prostitutas nos campos. Consistente nesta linha, Eric H. Adianta
que „ os Nazis gostavam particularmente de obrigar lésbicas a trabalhar
nos bordéis visto acreditarem que isso as ajudaria a recuperar o gosto
pelos homens „. Depois de passar vários meses no campo de Flossenburg
acredita-se que era enviada para um campo de exterminação onde morreu.
Este fim seria partilhado por todas as mulheres que trabalhavam como
prostitutas nos campos, depois de 6 meses eram sistematicamente enviadas
para as câmaras de gás.

Como seria de esperar, os Nazis perseguiam particularmente lésbicas
judias.
A Sra. Schoppmann relata a história de Henry Schermann,
internado em Março de 1940 e de Mary Punjer, internada em Outubro de
1940, ambos em Ravensbruck. Seriam vitimas do notório „Doutor‰ Friedrich
Mennecke que, como dezenas de milhar de outros seus Œpacientes‚ os
declararia Œnão merecedores de viver‚. O diagnóstico de Mennecke da
Sra. Schermann descrevia-a como Œlésbica compulsiva, que visita
exclusivamente bares e clubes de lésbicas. Não usa o seu nome, Sara .
Mulher judia sem nacionalidade‚. Quanto à Mary Punjer, Mennecke escreve
Œ lésbica muito atraente, frequenta constantemente clubes de lésbicas,
exibicionista Œ. Ambas seriam enviadas para as câmaras de gás em 1942.

Quantas lésbicas foram assassinadas no III Reich? Quantas violadas,
quantas tiveram que se esconder? O facto de a lesbofobia não ser uma
prerrogativa na Alemanha de Hitler, e daí não ter sido tão bem
documentada como os seus outros crimes, torna uma investigação
cientifica impossível. Seria, porém, perigoso minimizar o seu sofrimento
sob o pretexto que tinha sido apagado pelo regime Nazi e pelo passar do
tempo. Quando vamos voltar a ver outros textos tão interessantes quanto
o da Sra. Claudia Schoppmann?

Tradução de Carlos Carrilhas-Opus Gay
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