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Fanny Ann Eddy
Comunidade LGBT chora a morte de Fanny Ann

in SIERRA LEONE, 27/10/2004

A activista de Serra Leoa foi assassinada

Car@s Amig@s,

É com grande pesar que vimos dar conhecimento do brutal assassinato de Fanny Ann Eddy. Fanny Ann foi atacada nos escritórios da SLLAGA, a Associação de Lésbicas e Gays de Serra Leoa, que ela fundou e dirigia, na noite de 29 de Setembro, quarta-feira. Os atacantes forçaram a entrada nos escritórios onde Fanny Ann estava a trabalhar sozinha naquela noite. De acordo com notícias preliminares ela teria sido violada e tinha o pescoço partido.

Um estudo mais aprofundado das circunstâncias da sua morte revelaram uma situação diferente. De acordo com as últimas notícias ela foi estrangulada e não existem indícios de facadas nem que tenha sido violada. Até este momento não foram identificados ou interrogados nenhuns alegados autores do crime.

Aparentemente a investigação do assassinado de Fanny Ann decorre de forma regular. Material como o seu computador, gerador e telemóvel desapareceram do escritório, tornando o assalto como uma possível razão do ataque. No entanto, tendo em conta que era uma activista muito visível do movimento LGBT, existe sempre a suspeição de um ataque por motivos homofóbicos. Neste momento não há um conhecimento claro de quais os reais motivos que levaram ao assassinato.

Fanny Add era uma activista dos direitos LGBT há muitos anos. Mesmo num meio claramente dominado por homens e na sociedade homofóbica de Serra Leoa, ela enfrentou corajosamente os preconceitos como mulher lésbica lutando por todas as minorias sexuais, uma escolha que lhe terá custado a vida. Fanny Ann também esteve presente no movimento de direitos LGBT mundial, em particular quando fez parte da delegação LGBT na sessão de 2004 da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas que se reuniu em Genebra em Abril. Ela falou aos representantes para ultrapassar o silêncio sobre a homossexualidade nos países Africanos e especialmente o silêncio a que estão votadas as mulheres lésbicas e bissexuais. Temos disponível a transcrição para Português do seu testemunho na ocasião.

A sua contribuição para o movimento LGBT não se ficou por acções em Genebra e na Serra Leoa. Fanny Ann foi também uma participante activa no recente Simpósio de Direitos Humanos de Toda a África em Joanesburgo, impressionando as pessoas com que se encontrou e conseguindo uma posição na comissão interina de coordenação do simpósio. A sua dedicação a África e à sua cara Serra Leoa manteve-se inalterada durante a sua vida. Ainda que tenha falecido como mártir ela deverá ser recordada como uma pessoa que gostava de sair e se divertir, que amava a sua família e o seu filho de 10 anos de idade que deixou para trás. Podem ouvir o seu testemunho directo na entrevista que ela deu ao grupo africano, Behind de Mask (Por Detrás da Máscara). Será recordada com saudade e carinho.

Numa homenagem pessoal de Fanny Ann, a Co-Secretária Geral da ILGA, Rosanna Flamer-Caldera, convida-nos a todos a não deixarmos que a sua morte tenha sido em vão. “Deixem que a luz de Fanny Ann viva em todos nós. Temos de recuperar e trabalhar juntos para atingir os nossos objectivos e fazê-lo de uma forma que seja respeitadora da memória de todas as Fanny Anns em todo o mundo que fizeram o sacrifício derradeiro”.

Diversos grupos e pessoas individuais estão a tentar encontrar mecanismos para a recolha de apoios para a SLLAGA, o seu filho e os custos do seu funeral. Por agora o contacto mais adequado parece ser a Behind de Mask, ou o email Daniel@mask.org.za.

Gostaríamos ainda de agradecer a Corinne Dufka do Human Rights Watch, que se manteve em comunicação com as entidades policiais de Freetown e a Paula L. Ettelbrick, da International Gay and Lesbian Human Rights Commission pelas últimas informações de Fanny Ann.

Tradução: João Paulo - Portugalgay.pt

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