Pedro Anibal Paradiso Sottile
Pedro Anibal Paradiso Sottile, 31 anos, ativista da Comunidade Homossexual Argentina (CHA), membro da Diretoria e Coordenador da Área Jurídica. O grupo CHA tem 20 anos de trabalho na Argentina e entre suas vitórias mais importantes encontra-se a aprovação da Lei de União Civil em Buenos Aires, primeira legislação na América Latina que reconhece direitos dos casais LGBTs.
Os Direitos Humanos LGBTs na ArgentinaA situação dos direitos humanos LGBTs na Argentina é contraditória. Por um lado nos últimos anos se registra um avanço importante na agenda de nossos direitos. Em Buenos Aires, Rosario e Rio Negro existem legislações sobre a não discriminação por orientação sexual e a garantia do direito de ser diferente. A Cidade Autonoma de Buenos Aires foi a primeira Cidade Latino-americana a reconhecer os direitos dos casais gays, lésbicos, travestis, transexuais e bissexuais, equiparando-os aos heterossexuais, graças a um projeto do grupo CHA. Também Rio Negro segue no mesmo caminho. Em dezembro de 2003 a Câmara dos Deputados aprovou a modificação da Lei Antidiscriminatória Nacional, para incorporar a orientação sexual, identidade de gênero e sua expressão e agora espera o voto definitivo do Senado.
Por outro lado, se Argentina nao penaliza o fato de ser LGBT, não há uma legislação nacional que respeite a cidadania plena e garanta os direitos humanos LGBTs de maneira integral. Existem numerosas violações aos nossos direitos humanos. Não se respeitam nossos direitos básicos e individuais (saúde, vida, trabalho, educação, maternidade e paternidade, acesso a justiça, etc.) por conta de nossa orientação sexual e identidade de gênero. A violência e perseguição institucional, como também os crimes homofóbicos por parte da policia contra as travestis e transexuais dão uma mostra clara da situação que vivemos. Na maioria das vezes a imobilidade da justiça instala a impunidade frente aos abusos cometidos. A prostituição não constitue um delito, mas em quase todo o país ela é reprimida e penalizada com leis regionais.
Argentina tornou pública sua decisão de apoiar a Resolução do Brasil na ONUO Grupo CHA trabalha pela Resolução do Brasil desde o ano de 2003, quando o projeto foi apresentado na ONU. Nessa oportunidade nosso país havia declarado que votaria contrário e conseguimos que a Argentina mudasse sua posição e se abstivesse.
Com o novo Governo, em dezembro último, o grupo CHA, junto a ILGA, encontraram-se com o Ministro das Relações Exteriores, Consul Bielsa, solicitando que a Argentina apoiasse a Resolução e que incorporasse a identidade de gênero na mesma. Em março deste ano, na ocasião da visita do Consul Bielsa ao Vaticano, e por decisão do Presidente Kirchner, nosso país declarou publicamente o apoio a não discriminação por orientação sexual e adiantou o voto positivo na Comissão de Direitos Humanos da ONU.
É a primeira vez que a Argentina apoia uma iniciativa internacional em favor aos direitos humanos LGBTs. Frente ao atual cenário de portergação para o ano de 2005, o grupo CHA solicitou uma entrevista com o Presidente, para que a Argentina apresente junto como Brasil a Resolução e lidere o trabalho para que se aprove a mesma na 61ª Sessão.
A Comunidade Homossexual Argentina fez sua voz ser escutada na ONUPela primeira vez e graças a Assembléia Permanente pelos Direitops Humanos (APDH), o grupo CHA pode falar como ONG na Sessão da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Cesar Cigliutti e Pedro Paradiso Sottile marcaram a posição da organização e da situação dos direitos humanos das pessoas LGBTs no país.
A Missão Argentina na ONU abrui-nos suas portasNosso encontro com a Missão argentina em Genebra foi muito positivo e produtivo. O Ministro Sergio Cerda abri-nos o caminho para que o grupo CHA e a ILGA pudessem expor sobre a importância de reconhecer no âmbito das Nações Unidas o direito a não discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Tivemos reuniões informais em todos os momentos e a Missão se mostrou sensível pela situação de nossa comunidade e envolvida na defesa e promoção da Resolução. Graças a sua gestão tivemos a oportunidade de falar oficialmente com o GRULAC (Grupo Latino-americano e do Caribe na ONU), este ano presidido pela Argentina, para solicitar o apoio conjunto em 2005, agradecer o consenso pela postergação, mantendo desta forma a resolução na agenda da ONU e a importância de incorporar a identidade de gênero na mesma.
Tradução: Beto de Jesus