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24ª conferência mundial em Viena

in WORLD, 27/11/2008

ILGA continua diálogo de 30 anos com o movimento internacional LGBTI

Criada em 1978 como IGA, Associação Internacional Gay, a organização conhecida nos últimos 22 anos como ILGA, Associação Internacional de Lésbicas e Gays, será conhecida de ora em diante como "ILGA, Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo" conforme votado por activistas LGBTI reunidos por ocasião da sua 24ª conferência mundial em Viena, Áustria, entre os dias 3 e 6 de Novembro de 2008.

Esta conferência, que coincidiu com o 30º aniversário da ILGA, centrou-se na construção de associações regionais de activistas de África, da Ásia, e da América Latina, bem como no afastamento da tradicional representação binária de género.

A conferência pressionou fortemente a organização “para promover a igualdade de mulheres, e de pessoas trans e intersexo dentro e fora da ILGA”, e decidiu afastar-se da representação binária de género: todos os cargos dentro da organização devem incluir “dois representantes, dos quais pelo menos um se identifica como mulher”. Esta proposta, avançada pela secção LGBT do sindicato UNISON do Reino Unido, possibilita que activistas que, por razões políticas ou pessoais, não desejam ser identificados como homens, mulheres, ou ambos, possam ocupar cargos na organização, e simultaneamente assegura que a organização não é composta apenas por homens. Um representante do UNISON sublinhou que “a existir um espaço para auto-percepções sem relação com um género, deve ser na ILGA e sua Constituição.”

“Com a criação do secretariado Trans, conseguimos estabelecer um órgão que coordene assuntos trans a nível global, e que tenha voz no comité mundial da ILGA”, afirma Belissa Andía Pérez, activista trans do Instituto Runa (Peru), o grupo que foi reeleito para mais dois anos como Secretariado Mundial Trans da ILGA. “Isto é crucial porque nos permite fazer avançar as reivindicações da comunidade trans dentro da ILGA”. Ela acrescenta: “Viena foi uma oportunidade para ampliar o diálogo em assuntos de género. Isto é importante para a ILGA, quando é corrigida a sua constituição e a forma como lida com as questões de género, ou para que sejam concebidas bolsas a activistas trans para virem às conferências, por exemplo, mas é também importante para a totalidade do movimento LGBTI: o nosso objectivo é atingir uma inclusão da identidade de género real, e lutar contra a discriminação das pessoas trans, de longe o grupo mais vulnerável na comunidade LGBTI”.

Os assuntos trans foram também discutidos durante um dia completo de pré-conferência para participantes trans. Uma outra pré-conferência para mulheres lésbicas e bissexuais explorou a ligação entre o feminismo e os movimentos lésbicos, e a importância de incluir uma perspectiva feminista no activismo, seja ele gay, lésbico ou trans.

Com aproximadamente 200 activistas de 81 países, esta 24ª conferência da ILGA reuniu um número equilibrado de participantes de quase todas as regiões do mundo, graças a um esquema de bolsas que permitiu a participação de 120 activistas do Sul Global. A ILGA convidou os quadros regionais da ILGA Ásia, ILGA LAC (América Latina e Caribe), e a Pan África ILGA, que foram eleitos por activistas durante as conferências regionais dos últimos dois anos em Joanesburgo, Lima e Chiang Mai. Os organizadores da conferência também dedicaram um esforço especial para assegurar a participação de activistas da região do Caribe. Isto permitiu que estes grupos regionais organizassem reuniões regionais e inter-regionais, para discutir e fazer progressos dentro da estrutura global da ILGA.

“A ILGA mostrou realmente a sua faceta internacional, fiel à diversidade no nosso movimento com activistas representados igualitariamente por região, identidade de género e orientação sexual. Vamos continuar a trabalhar para termos activistas africanos, asiáticos, latino-americanos e caribenhos a organizar a sua própria estrutura da ILGA a nível regional, para que os activistas gays, lésbicas, bissexuais, transgénero e intersexo de cada região do mundo possam falar por si próprios”, disse Gloria Careaga (México), que foi eleita co-secretária geral da ILGA juntamente com Renato Sabbadini (Itália) . A conferência agradeceu aos anteriores co-secretário geral Rosanna Flamer Caldera (Sri Lanka) e Philipp Braun (Alemanha) pelos seus anos de trabalho para a ILGA.

“É particularmente importante que nós, enquanto associação global nos comprometamos a ajudar activistas a auto-organizarem-se localmente: não deverá nunca ser defensável que a homossexualidade é uma importação ocidental: se necessário for, a nossa associação e suas 600 organizações de 111 países são a prova viva que o amor entre pessoas do mesmo sexo existe em todos os países, apesar das muitas leis que nos criminalizam em todo o mundo”, afirmou Renato Sabbadini.

Os participantes também discutiram o caminho a seguir dos assuntos LGBTI nas Nações Unidas e outros fóruns internacionais como reunião dos Chefes de Governo da Commonwealth, ou a revisão da conferência de Durban, no seguimento da Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia, e Intolerância Conexa das Nações Unidas em 2001. “A ILGA irá continuar a trabalhar ao mesmo nível do trabalho efectuado anteriormente, para assegurar que tanto a identidade de género como a orientação sexual sejam devidamente tratadas dentro do sistema das Nações Unidas”, diz Gloria Careaga. A ILGA trabalha em conjunto com outras ONG’s de direitos humanos como a Amnistia Internacional, Arc Internacional, Global Rights, Human Rights Watch e IGLHRC (Comissão Internacional de Direitos Humanos de Gays e Lésbicas).

Maria Sjödin, da Federação Sueca de Lésbicas e Gays RSFL, que foi reeleita para o Secretariado de Mulheres da ILGA acrescenta: “A ILGA ocupa um espaço muito especial nas Nações Unidas: obtém a sua legitimidade dos muitos grupos que representa em todo o mundo; a ILGA é o nosso canal para ter uma influência na nossa luta a nível global. A ILGA pode basear as suas acções e recomendações na experiência colectiva dos seus membros e seu conhecimento.” O grupo sueco encontra-se entre os seis que receberam o estatuto ECOSOC das Nações Unidas nos últimos dois anos, no contexto da campanha da ILGA para dar livre acesso de grupos LGBTI nas Nações Unidas.

Mas a discussão política não se centrou apenas nas Nações Unidas. Foram aprovadas três moções pela conferência: a primeira foi apresentada pela ILGA LAC. A região da América Latina e Caribe pediu à conferência para expressar a sua rejeição da decisão do Vaticano de submeter os seus seminaristas a uma análise psicológica para determinar se são homossexuais. Na segunda, LGBT LEGAL (Peru), MUMS (Chile) e El Closet de Sor Juana (México) pediram o fim da perseguição de defensores de direitos das mulheres e direitos humanos por parte do governo da Nicarágua. Numa nota mais alegre, toda a conferência celebrou espontaneamente a eleição de Barack Obama como Presidente dos Estados Unidos da América e passou uma moção para o felicitar.

Engelbert Theuermann, dirigente da Unidade de Direitos Humanos do Ministério Federal de Assuntos Europeus e Internacionais Austríaco, abriu a conferência que contou, pela primeira vez na história da ILGA, com o patrocínio de um chefe de estado, dado que Heinz Fischer, presidente federal da Áustria, assumiu este papel. O director da IBM Áustria Leo Steiner também saudou os participantes e falou do programa de Diversidade IBM para promover os direitos LGBTI na IBM e no sector empresarial, ao passo que Paula Ettelbrick (IGHLRC) louvou os nossos compromissos pessoais, a ligação entre local e global, e a interdependência de ambos. Ela falou do valor das redes, e do poder de juntar forças, celebrando, no 30º aniversário da ILGA, o conceito fundamental de “associação”.

Os participantes da conferência foram convidados para recepções que decorreram na Câmara Municipal, pelo presidente da Câmara de Viena Michael Häupl, e no Parlamento Austríaco pela presidente do Parlamento Barbara Prammer. Esta, no seu discurso de boas-vindas, elogiou o trabalho da ILGA pela ocasião do 30º aniversário da organização. Na primeira edição do prémio “Go Visible”, uma iniciativa do Partido Verde da Áustria, foi premiado o Aswat, um grupo de mulheres lésbicas e bissexuais da Palestina.

A ILGA gostaria de agradecer aos seguintes parceiros e financiadores pelo seu apoio à 24ª Conferência Mundial da ILGA:

- Governo Federal da Áustria
- Cidade de Viena
- HIVOS (Países Baixos)
- IBM
- IGLHRC (Comissão Internacional de Direitos Humanos de Gays e Lésbicas)
- ILGA-Europa, a região europeia da ILGA
- SIDA (Agência de Apoio Internacional da Suécia)
- Austrian Airlines (transportadora aérea oficial da conferência)
– RFSL-Suécia
- Tels Quels (Bélgica)
- NOVIB (Países Baixos)

A ILGA quer ainda agradecer o imenso trabalho e compromisso do grupo local HOSI Wien, que pela terceira vez na sua história, foi anfitrião da conferência mundial da ILGA. “Estamos muito satisfeitos por termos conseguido co-organizar uma conferência em pleno, apesar de apenas termos tomado as rédeas em Abril passado", explicou Kurt Krickler, secretário-geral da HOSI Wien. “Estamos especialmente orgulhosos por termos conseguido em tão pouco tempo, aqui na Áustria, um apoio tão forte, incluindo financiamento substancial”.

Os participantes desta conferência escolheram o Rio de Janeiro, Brasil, como a cidade anfitriã da 25ª conferência mundial, a realizar em 2010.

Mais informações:

Stephen Barris
ILGA Bruxelas +32 2 502 24 71

Tradução : Patrícia Gomes
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