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Stephane Tchakam, Charge de Communication Pan Africa ILGA |
![]() | Publicado anonimamente. (Português) |

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Stephane Tchakam, Charge de Communication Pan Africa ILGA |
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Líderes religiosos e organizações têm alimentado grandemente a homofobia em Burundi. Estas foram as conclusões de uma relatório intitulado Religião e homofobia, lançado recentemente pelo Movimento pelas Liberdades Individuais (MOLI), uma organização LGBTI - lésbicas, gays, bissexuais, trnasexuais e intersexos - em Burundi
O relatório afirma que os líderes religiosos, por proferirem discurso de ódio contra os homossexuais e por descreverem a homossexualidade com palavras tais como "práticas ignóbeis", "anomalia", ou "práticas contra a natureza", têm intencionalmente "contribuído para alimentar a homofobia em um país onde os homossexuais ainda batalham para viver em paz com suas famílias e à comunidade em geral, devido à não aceitação e discriminação".
A fim de avaliar o papel desempenhado por grupos religiosos quando o projeto de lei anti-homossexualidade foi proposto e promulgado, a MOLI entrevistou os líderes e um deles, Monsenhor Justin Nzoyisaba, da Igreja Metodista Unida, foi citado no relatório dizendo que "a homossexualidade é realmente uma doença, um vício introduzido na África pelos ocidentais."
Sobre o apoio de Desmond Tutu à luta das pessoas LGBTI e direitos, Nzoyisaba disse que "os Sul-africanos são como os Europeus. Eles chegaram a uma fase negativa do desenvolvimento, porque eles estão se desviando dos valores morais bíblicos e Africanos."
Monsenhor Eli Buconyori, Bispo da Igreja Metodista Livre do Burundi salientou que "Depende do que ele próprio, o Tutu, faz", e ele acredita que "a homossexualidade é uma doença espiritual".
Em março de 2009, durante o dia nacional de protesto contra a homossexualidade organizado pelo partido governista, o Conselho Nacional para a Defesa da Democracia, a Conferência dos Bispos do Burundi divulgou um comunicado no qual denunciou "aqueles que defendem 'tal prática', sob o pretexto de que a homossexualidade pode ser congênita".
A declaração em seguida convocou as pessoas a "não promover a homossexualidade sob o pretexto de respeitar a dignidade das pessoas e da liberdade".
Um membro da Igreja Bom Pastor, explicou que "as Escrituras são muito claras sobre quais relações são aceitáveis. Deus criou um homem e uma mulher para ficarem juntos. Mesmo que as relações homossexuais existam, não têm objetivo porque o objetivo principal de um casal é procriar. Práticas homossexuais são, portanto, contra a natureza e não-bíblicas. "
Enquanto isso, um jovem muçulmano afirmou que a homossexualidade é "uma doença que se adquire entre os 2 e 4 anos de idade."
Ele disse que as mães normalmente sabem se seus filhos têm tendências homossexuais ou não, e que elas devem levá-los à atenção de líderes religiosos para que os filhos sejam bem cuidados".
Para Christian Rumu, Diretor Executivo da MOLI, isso não é surpreendente.
"Mais de 98% dos Burundianos são crentes, e a maioria deles são pessoas da área rural com pouca escolaridade. Isso geralmente leva a interpretações sem fundamento das escrituras e uma fé cega no que os líderes religiosos dizem. "
"Quando a lei anti-homossexualidade foi proposta, os líderes religiosos lucraram com a situação e incentivaram o governo a manter a disposição que criminaliza a homossexualidade."
Rumu prometeu que a MOLI vai desafiar a seção 567 do código penal que criminaliza a homossexualidade.
"É importante retirar essa disposição do código penal para evitar a perda de segurança e proteção para as pessoas LGBTI. Vamos contestar esta lei perante o tribunal constitucional ", explica ele.
Ele acrescentou: "Estamos trabalhando estreitamente com organizações como a Human Rights Watch, Ligue Iteka e Advogados Sem Fronteiras. Temos também o apoio de várias embaixadas européias. Vamos começar a nossa campanha em janeiro de 2011. "
"O que é mais difícil para nós é encontrar líderes dispostos a dialogar. As coisas estão se movendo lentamente, mas em breve iniciarem o debate entre a sociedade civil e os líderes religiosos sobre a questão da homossexualidade ", concluiu.
O Movimento pelas Liberdades Individuais (MOLI) é uma organização que visa promover os direitos das pessoas LGBTI no Burundi e na região dos Grandes Lagos. Eles se concentram em treinamentos, campanhas educativas e de conscientização sobre os direitos e a saúde das pessoas LGBTI.
Seu próximo relatório incidirá sobre a violência contra os homossexuais dentro do círculo familiar.