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anonymous contributorPublicado anonimamente. (Português)

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Homossexuais católicos estão contra referendo

in PORTUGAL, 12/11/2009

Grupo de 'gays' católicos considera a consulta popular apenas uma medida dilatória para evitar o que será aprovado em breve no Parlamento.

Os gays católicos estão contra a realização de um referendo ao casamento de pessoas do mesmo sexo. A associação Rumos Novos disse ontem ao DN que a proposta de avançar com uma consulta popular, feita esta semana pela plataforma de católicos e subscrita por alguns membros da hierarquia da Igreja, é apenas uma forma de tentar adiar uma lei que será aprovada em breve pelo Parlamento.

"O referendo não faz sentido. É apenas uma medida dilatória", disse José Leote. Para o coordenador nacional do Rumos Novos, permitir o casamento entre homossexuais é apenas resolver uma questão jurídica que passa "por o Estado assegurar às pessoas os mesmos direitos perante a lei. "

É isso que acreditam que vai acontecer no Parlamento, mais tarde ou mais cedo. A questão do referendo não se põe, dizem, porque "apesar de este não ser um assunto consensual, estava explícito nos programas eleitorais sufragados pelos portugueses". Nem a da inexistência de uma reflexão alargada, acrescenta José Leote. "Esse é um falso argumento. Haverá sempre alguém a dizer que não houve debate alargado. Se for sempre assim, a sociedade nunca avança."

Ao defender os valores católicos, a Rumos Novos subscreve os princípios da Igreja de que "a família é a célula básica da sociedade e que esta assenta na relação estável dos cônjuges". Contudo, diz José Leote, " o conceito de família de hoje já não é o mesmo. Não tem de ser constituída por um homem e uma mulher".

Os ataques ao casamento homossexual, feitos na segunda-feira pelos bispos que estão reunidos na Conferência Episcopal, não caíram bem entre os gays católicos, que não acreditam, contudo, que a hierarquia da Igreja vá além das palavras e se mobilize contra esta intenção legislativa. "A nossa Igreja é suave. Não acredito que façam mais do que uma nota pastoral", considera a Rumos Novos, afastando posições de força como as da igreja espanhola, que veio para a rua em protesto.

Por serem católicos e serem gays, os cerca de 350 membros do grupo Rumos Novos têm uma dupla luta, diz José Leote, que assume a sua homossexualidade, ao contrário da maioria dos elementos da associação. "Temos de lutar pela aceitação social e eclesial."

Dentro da Igreja têm havido progressos, considera José Leote. A prova é que o grupo reúne todos os meses e tem acompanhamento de um padre. A maioria dos homossexuais têm uma vida activa na paróquia, vão à missa e recebem sacramentos. Mas não se assumem como gays. "A Igreja acolhe-nos sempre na perspectiva de quem acolhe o pecador mas não o pecado. E sempre na perspectiva de deixarmos de ser praticantes."

Em consonância com os princípios católicos, este grupo de homossexuais defende o casamento e acredita, diz José Leote, na "fidelidade, respeito e amor mútuo que é capaz de ultrapassar as vicissitudes da vida". Mas reconhece que a opinião não é generalizada e que há muitos que lutam pelo casamento e não têm intenção de casar. "Há uma parte que não esteja interessada, mesmo tendo lutado por isso. Fá-lo por princípio e solidariedade", diz o coordenador nacional. Mas não é isso que se pretende com a legalização do casamento. "Não queremos que todos os homossexuais casem mas que o possam fazer se quiserem."

Depois do casamento gay, os bispos estão a discutir agora a autanásia e o testamento vital.

 

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